De onde veio essa ideia, esse costume que se tem de individualizar-se ao extremo de forma a não reconhecer como possível aquilo que não aconteceu a nós mesmos? A alteridade só existe no conceito, no ideário das pessoas. Fica tão bem aparentar entendimento, compreensão, empatia pela paixão e dor dos outros que a demonstração fica esquecida.
Enquanto não se vivencia situações semelhantes a do outro, não é possível, nessa nossa tradição individualista e egocêntrica, entender que não existe superação no mesmo contexto da morte. Não há nada mais patético do que dizer a alguém que perdeu uma pessoa que ela precisa superar. Isso chega a ser pior do que dizer com toda a certeza, que é impossível de se ter, que a pessoa foi para um lugar melhor.
Não existe essa superação, no lugar dela existe a aprendizagem, aprender a viver com a dor da perda, a viver sem aquela parte da sua história. A dor sempre vai estar presente, mas com o tempo vamos aprendendo a deixa-la como plano de fundo e não como figura central de nossas existências. Superar é esquecer, conviver com o sentimento é seguir em frente com todas as lembranças intactas.

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