domingo, 23 de fevereiro de 2014

Liberdade

"i never paint dreams or nightmares. I paint my own reality". Hoje eu não quero falar de coisas bonitas, da felicidade ou do amor. Quero sentir a dor, quero experienciar o sofrimento de perceber o quanto o mundo pode ser cruel. Quero não acreditar que surgem coisas bonitas no meio da escuridão, quero despedaçar a esperança. Quero desenterrar todas as lembranças dolorosas e me permitir chorar por elas sem me sentir uma fracassada por reviver o passado. Quero tantas coisas... E não quero nada... Quero sentar na praia deserta, sentir a chuva cair e lembrar dos que perdi. Quero me sentir bem por me sentir mal. Amanhã volto a sorrir. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Não Sei

É difícil pensar em felicidade em termos plenos. Como uma condição existente ou não, como questão de preto ou branco, de sim ou não. Pra mim, felicidade e tristeza são sentimentos tão interligados que chegam a ser inseparáveis. Eu não sei se poderia responder monossílabicamente se sou feliz. 
Acredito que tudo que eu passei em minha vida, todas as pessoas que perdi, arrancaram de mim um pouco de felicidade. Me deixaram um pouco mais vazia e frágil. Me sinto quebrada. 
Há alguns anos eu poderia esconder meus sentimentos, me protegendo de tudo que fosse intenso, de tudo que me deixasse vulnerável. Só minha cama tomava conhecimento de minhas lágrimas. 
Acredito que o tempo deixa as coisas ruins mais fáceis de aceitar, mas não conserta, não apaga nada. Hoje eu consigo não dar tanta atenção a dorzinha escondida no meu coração, ao aperto nele. Mas não acho que um dia serei capaz de não chorar a noite quando me lembro de algumas histórias, de alguns sorrisos. 
Me sinto quebrada. Não consigo mais controlar o choro, sou fraca, incompetente quando se trata de me esconder, de não deixar que outros vejam como sou... F-R-A-C-A. Lágrimas insistem em aparecer em momentos impróprios. 
Então, sim. Sou triste. Porque não vejo como ser de outra forma com tantas lembranças dolorosas. Não vejo como deixar pra lá, como deixar estar.
Por outro lado, sou tão feliz. Consigo ficar feliz com coisas pequenas. Com nada. Um livro, um dia no cinema, um passeio em família, um dia só pra mim, sozinha. Não vejo como alguém que consegue se sentir feliz com pouco possa ser triste. Sou feliz.
Como eu disse, não tem uma condição única. A felicidade e a tristeza em mim se conhecem, convivem, se entendem. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sendo congruente

Uma hora cansa. Acho que de tanto adiar, essa hora pra mim, enfim, chegou. As vezes você se doa demais pras coisas e pessoas e o mais chato é que elas nem sabem que você está se doando a elas. Acham que é um ato volitivo. Quando você não gosta ou não mantém um relacionamento mais íntimo com uma pessoa tudo é mais fácil, porque você não se esforça tanto, não se importa realmente. Mas quando você gosta de alguém, quando se importa com um amigo acaba abrindo exceções, deixando por menos, relevando coisas que não devia. O pior é que tudo isso é sua culpa. Você poderia ser honesto desde o começo consigo e com os outros, se seus amigos não conseguem lidar com sua personalidade talvez sua denominação deva ser trocada, adequando-se melhor à situação a palavra "colega". Ninguém deve se sentir culpado por dizer não a algo que não te inspira, não te empolga, só para não criar ocasiões desconfortáveis. Aprender a dizer não e exercer esse direito é fundamental. Nem sempre você está no humor adequado para certas atividades sociais e seus amigos devem aceitar isso. Tenho seguido a risca minha nova filosofia de vida: ser congruente com meus desejos e vontades, enfim, ser congruente comigo mesma.  

domingo, 14 de julho de 2013

Uma vez

Uma vez eu achei que se eu fosse forte todo o tempo, se eu me mostrasse forte, as coisas seriam mais fáceis, menos dolorosas. Talvez, se não ficasse falando sobre o que me incomoda, aquilo não fosse mais incomodar. Que se eu fingisse que não me importava com o que as pessoas falam um dia eu deixaria de me importar. Como se deixar de pensar fosse fazer deixar de existir. Essa vez nunca passou. Não que eu realmente acredite que se eu não falo certas coisas, elas vão deixar de me ferir, mas é tão mais fácil deixar para lá, trazer a lembrança somente algumas vezes a mente, para que as coisas, as pessoas e você mesma não se perca por completo. Uma vez eu achei que as coisas seriam pra sempre, que as amizades seriam eternas, que as memórias compensariam. Essa vez nunca acabou. Talvez as coisas não sejam pra sempre e acabem deixando um gosto amargo, mas os sentimentos que vivenciamos, aquilo que acreditamos ser duradouro pode ficar guardado e te fazer lembrar que não importa como acabou, mas o que foi vivido. O que acabou não precisa ser esquecido, mas ninguém avisou como lembranças podem ser cruéis. Lembrar da inocência perdida das pessoas que você amou, daquilo que elas deixaram para trás, do que você deixou para trás. Lembranças podem ser cruéis, mesmo as boas lembranças, como um sorriso esquecido. 

domingo, 30 de junho de 2013

...


Quanta coisa se esconde atrás de sorrisos e olhares, como os meus, que a tantos enganam? Nesse momento quem pode adivinhar o que se passa em minha cabeça? Em sua cabeça? Estamos todos perdidos em nós mesmos. Ninguém sabe o porquê, mas quem disse que se interessam em saber? A ignorância nos faz feliz, menos explicações a serem dadas, menos tempo perdido.

domingo, 7 de abril de 2013

Antes




Parece que nada mudou. Todos continuam suas vidas exatamente como elas eram antes... Antes: parece que resume uma época, a que vc existia, me fazia rir antes de dormir ou falava algo fofo. Agora é o que ficou, como se vc não fosse mais importante pra ser mencionado. Claro que sei que não sou a única a sentir sua ausência, mas me incomoda não ter com quem falar sobre vc. A quem dizer o grande idiota que você foi, por ter desistido de tudo sem antes tentar todas as alternativas, esgotar todas as chances. Também não sei a quem contar que não sei o que pensar sobre vc não ter me procurado. Não sei porque não fez isso. Talvez eu não tenha te feito se sentir confortável o suficiente, talvez vc não quisesse confiar algo tão grande a mim ou quem sabe vc é como eu, no fim, alguém que acredita que as pessoas só estão interessadas em histórias alegres, intrigantes ou até mesmo de fofocas. Algo tão intenso não é pra ser dividido com qualquer um, arriscando ouvir um "eu te entendo" só para a conversa chegar mais rápido ao fim. Ah, sei lá pq escrevo essas coisas, presumido que elas possam me fazer entender como me sinto sobre tudo isso, sobre vc, sobre as pessoas que eu perdi, meus medos, dúvidas e receio de não ter estado presente e acessível pra vc. Saudade, menino lindo. Sempre estarei com saudade. 

Anotações


Engraçado como é fácil esquecer das palavras rabiscadas no caderno quando tudo ocorre na mesma cadência de sempre. Por outro lado, quando tudo está confuso e não se sabe para onde ir ou o que fazer é quase impossível parar de escrever. Colocar num papel tudo o que se pensa, mas não pode dizer faz com que o peito se encha de uma paz que, mesmo não sendo duradoura, ameniza um tanto da confusão. Os pensamentos vem de tantas formas, intensidades e tão desorganizados que somente os pondo no papel que torna-se possível começar a compreende-los. É a escrita, o papel como confidente que tranquiliza o ser por não saber com quem falar, por não querer pessoas condescendente arriscando palpites que não te servirão. Não troco meu papel por nada.