Uma certa confusão toma conta de mim, desestabilizando tudo que construí como sendo minha imagem. Esse sentimento de que algo falta, que me impede de aproveitar os momentos divertidos da vida. Mesmo essa atuação que fazemos, esse papel de nós mesmos que interpretamos diariamente, deveria ter uma pausa, um momento no qual tudo que importasse fosse a sinceridade dos nossos sentimentos. Mas no fim tudo que importa é corresponder as expectativas dos outros. Hipocrisia é fingir que isso não acontece.
Essa busca pela participação no grupo, medo da exclusão. Mesmo quando o que nos move é o receio de não sermos compreendidos acabamos por nos comportar de forma vista como normal. Quando não queremos falar, somos obrigados pelas regras da educação não só a responder perguntas das pessoas como manter uma comunicação, mesmo que o que mais deseje seja colocar os fones de ouvido e a música no volume máximo.
Ninguém quer ouvir como seu dia foi ruim ou como vc não está feliz e sim confuso. Todos querem falar de assuntos amenos, sem caráter pessoal, mas sim conversas descontraídas que provoquem riso fácil. Você acaba sendo induzido a tratar educadamente as pessoas: meu querido, meu bem, meu amigo. Mas esses tratamentos são somente isso, formas de tratar pessoas normais, pessoas que vc provavelmente não se preocupa.
Acho reconfortante poder chamar alguém de idiota e saber que tal pessoa, apesar da suposta ofensa, entende o carinho que vc sente por ela. Como associar esse sentimento de vazio com pessoas que deixam vc chama-las por apelidos carinhosos não convencionais? Também não sei. A única coisa que percebo é como poder te contar o que eu sinto, dizer que não to bem e querer te abraçar me faz entender que estou perdendo muito da calma que só vc pode me propiciar.

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