Uma vez eu achei que se eu fosse forte todo o tempo, se eu
me mostrasse forte, as coisas seriam mais fáceis, menos dolorosas. Talvez, se
não ficasse falando sobre o que me incomoda, aquilo não fosse mais incomodar.
Que se eu fingisse que não me importava com o que as pessoas falam um dia eu
deixaria de me importar. Como se deixar de pensar fosse fazer deixar de
existir. Essa vez nunca passou. Não que eu realmente acredite que se eu não falo
certas coisas, elas vão deixar de me ferir, mas é tão mais fácil deixar para lá,
trazer a lembrança somente algumas vezes a mente, para que as coisas, as
pessoas e você mesma não se perca por completo. Uma vez eu achei que as coisas
seriam pra sempre, que as amizades seriam eternas, que as memórias
compensariam. Essa vez nunca acabou. Talvez as coisas não sejam pra sempre e
acabem deixando um gosto amargo, mas os sentimentos que vivenciamos, aquilo que
acreditamos ser duradouro pode ficar guardado e te fazer lembrar que não
importa como acabou, mas o que foi vivido. O que acabou não precisa ser
esquecido, mas ninguém avisou como lembranças podem ser cruéis. Lembrar da inocência
perdida das pessoas que você amou, daquilo que elas deixaram para trás, do que
você deixou para trás. Lembranças podem ser cruéis, mesmo as boas lembranças,
como um sorriso esquecido.

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